Dor femoropatelar e disfunção femoropatelar
Dor no aspecto anterior do joelho é um sintoma muito comum e a causa mais frequente deste tipo de dor é a disfunção femoropatelar.
Como o próprio nome sugere, esta patologia é caracterizada por um funcionamento deficiente do mecanismo de deslizamento entre o fêmur e a patela.
Muitos pacientes procuram o consultório queixando-se de dores difusas na face anterior do joelho, que se intensificam ao realizar determinadas atividades, principalmente agachamentos, subir e descer escadas ou alguns exercícios físicos, tais como a cadeira extensora ou o ‘leg-press’.Alguns destes pacientes referem dores simplesmente por permanecer sentados com os joelhos fletidos por muito tempo.
Este tipo de queixa é chamada de dor femoropatelar e é geralmente é ocasionada pela disfunção femoropatelar.
Quando examinamos estes pacientes, nós observamos que seus joelhos não apresentam nenhum sinal de doença grave, e muitas vezes, o único achado no exame físico é um desconforto desencadeado ao comprimir-se a patela.
A investigação destes pacientes deve incluir o exame de ressonância magnética, para avaliar adequadamente o formato dos ossos do joelho, os revestimentos de cartilagem e a relação entre os ossos. Em geral, os pacientes com disfunção femoropatelar não apresentam lesões significativas no joelho, mas diversos detalhes que, em conjunto, explicam o quadro do paciente.
Os principais achados de ressonância magnética são relativos ao formato da patela e de seu encaixe no fêmur, que se chama tróclea. A tróclea forma uma espécie de trilho, no qual a patela se movimenta durante a flexão e extensão do joelho.
O formato deste trilho pode variar muito de pessoa para pessoa, especialmente em relação à profundidade do encaixe da patela. Trilhos com encaixe mais profundo favorecem o bom funcionamento da patela, pois aumentam a área de contato entre a patela e a tróclea, por outro lado, quando este encaixe é mais raso, a área de contato entre a patela e a tróclea diminui. Durante os movimentos de flexão e extensão do joelho há atrito e pressão entre a patela e a tróclea.
Quanto menor a área de contato entre a patela e a tróclea, maior será a pressão entre estes ossos e mais intenso o atrito entre eles. Esta situação irá produzir sobrecarga mecânica, que desencadeará processo inflamatório e dor a curto e médio prazo, e, a longo prazo, degeneração da cartilagem articular da área de contato.
Eventualmente, identifica-se nos exames de ressonância magnética de pacientes com disfunção femoropatelar, sinais de irritação de uma gordura que fica logo abaixo da patela, chamada gordura de Hoffa. Estes sinais de irritação da gordura de Hoffa comprovam o atrito anormal entre a patela e a tróclea.
A existência de sinais de sofrimento das cartilagens de revestimento da patela, ou da tróclea, sugerem que a sobrecarga mecânica entre a patela e a tróclea não é recente. O nome técnico do sofrimento destas cartilagens é condropatia. Antigamente o termo usado era condromalácia.
Por este motivo, ainda hoje o termo condromalácia é utilizado indistintamente para designar o quadro de dores na face anterior do joelho, mesmo quando ainda não haja sofrimento das cartilagens.

